quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Ratatouille

Preparação (2 pax): Deita-se um fio de azeite numa panela funda, que se cobre com uma cebola às rodelas, dois ou três dentes de alho picados, e dois tomates grandes e maduros aos cubos. Tempera-se com sal, pimenta e oregãos, e deixa-se a refogar. Entretanto, descascam-se e cortam-se em pedaços pequenos cogumelos frescos (4 ou 5), meia beringela, meio pimento e meia courgette. Vão-se adicionando os vegetais à panela, enquanto se borrifa a mistura com vinho tinto. Quando o estufado estiver a ferver e a totalidade dos vegetais tiver murchado, está pronto.
Sugestão: Servir sob fatias de pão torrado, e polvilhar com queijo ralado.

ou

Preparação (2 pax): Chega-se ao final de um dia de trabalho e preparamos corpo e mente para...o descanso. Vai daí, ligamos ao namorado(a) ou a um(a) amigo(a), e marcamos para o Corte Inglès, por exemplo, ao fim da tarde. Agora que a cidade de Lisboa ainda goza dos seus últimos dias estivais sossegados, subir o Parque (Eduardo VII) a pé pode ser uma componente a juntar. Compram-se os bilhetes e mordiscam-se umas sandes (no caso de ser aquele o cinema, sugerem-se as maravilhosas tostas em pão alentejano que existem mesmo ao lado das bilheteiras). Chegada a hora, alapamo-nos à grande nos cadeirões estofados, no escurinho, e divertimo-nos à grande;
Remy é um rato cujo sonho é tornar-se um chef famoso. Arrivado a Paris via-cano-de-esgoto, Remy aterra no paraíso comensal: o ultra-afamado restaurante de luxo de Auguste Gusteau. Através do sucesso inesperado da sua sopa (numa sequência hilariante que só vista), Remy trava conhecimento com Linguini, o ajudante de cozinha, e juntos formarão uma dupla de sucesso que dará que falar no mundo da cozinha parisiense.
Sugestão: No caso das tostas não terem empanzinado o suficiente, juntar mega balde de pipocas (salgadas, sempre salgadas) à festa, e é sucesso garantido!

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Beleza, a quanto obrigas...

Ao cabo de 1 ano sem praticar qulaquer exercício físico, a minha pessoa envergonhou-se; vai daí que pegou em si e arrastou-se até ao ginásio «de sempre», onde tinha cerca de 14 meses de aluguer de cacifo em atraso, a fim de marcar um teste de condição física e outro de cardio fitness.
Para o 1.º, disseram-me, era necessário estar 48 horas sem ingerir bebidas com cafeína, mais 4 sem comer nem beber nada. A tarefa pareceu-me árdua, uma vez que estamos em Agosto (o que sempre dá uma certa sede), para além do que, quem tome o pequeno-almoço às oito da manhã, terá necessariamente uma fome de doidos ao meio-dia!
Portanto, com uma ou outra batota, lá fui; medição de colestrol para cá, de tensão arterial para lá, peso, medidas, blá, blá, blá, para no fim concluirmos que eu era muito saudável, apesar de «um pouco acelereada» (enquanto os batimentos normais duma pessoa por minuto variam entre os 80 e os 100, os meus rondam os 105), e «com 4 kgs de 'matéria gorda' a perder».
Fiquei para morrer: nesse mesmo dia, corri para a mercearia a comprar cenouras, cheguei a casa e fiz sopa (que não ficou pronta a tempo do jantar), peixe cozido (que sabia mal como tudo sem maionese) e...rapei um pratinho com ovos moles que havia no frigorífico.
Mas dizem que o pior é sempre a arrancada, portanto no dia seguinte tomei novamente balanço, e fui ao 2.º treino. Aí, tinha um PT (personal trainer) com a minha idade, a perguntar-me que partes do corpo gostava menos, para de seguida sofrer a humilhação de o ter literalmente a focá-las, a medi-las e a estudá-las para ver «de que melhor forma podíamos trabalhá-las». Como se não chegasse, ainda tive de «cobaiar» à frente dele os exercícios um por um, só se deu por satisfeito quando, 2 horas mais tarde, saí da sala de língua de fora, e a andar de lado.
Dentro de 2 semanas esta rotina repetir-se-à 3 vezes por semana. Boa sorte para mim.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

«Casanova»

Well, praticamente um mês volvido sobre o meu último post (mas as férias são mesmo assim, dão uma moleza que só a IDEIA de tornar à rotina e à normalidade é de dar com a cabeça nas paredes, ainda que o blogue funcione mais como escape...), cá volto à carga, desta feita com uma sugestão gastronómica;
Novidade para muito poucos (de entre os quais figurava eu), em Santa Apolónia, ao lado da Bica do Sapato, fica o «Casanova», irmão mais novo do «Casanostra», no Bairro Alto. Com a ementa à base de pizzas e pastas, este restaurante tem a novidade das mesas serem corridas, e portanto poder suceder jantarmos ao lado de perfeitos estranhos (a menos que seja um grupo grande, que encha uma mesa por inteiro).
Com a cozinha entalada entre «transparências», a primeira coisa com que nos deparamos quando entramos, é com o gigante forno a lenha onde as pizzas são cozidas e as massas gratinam. O serviço é rápido e tenta ser atencioso - para o efeito dispõem, inclusive, de lâmpadas vermelhas dependuradas do tecto que se acendem caso necessitemos de qualquer coisa - mas a afluência constante de (mais) bocas para comerem (estamos em Agosto, a cidade a meio gás, ontem era terça-feira e, entre as 20h e as 23h, a fila de espera manteve-se permanente e a todo o comprimento da sala...) torna essa tarefa complicada, senão mesmo impossível.
As pizzas fazem juz à fama que têm, com a originalidade de haver a hipótese de se pedirem «duas em uma», construindo a nossa própria refeição através de fundir duas pizzas numa só, metade de cada nação.
Quem não o fez ainda, deve experimentar; quem já é batido, decerto já «repetiu a dose». Mas só num dia em que a paciência para a espera seja qb.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

«Kubo»

Na verdade, não tenho muito mais a dizer sobre o «benjamim» do Grupo K que o comum dos mortais que lá passa todos os dias de comboio: é um paralelipípedo todo pintado de branco, com o habitual cunho dum «K» prateado à entrada, cujo interior se adivinha minimalista, como aliás, agora é a moda.
E porque digo «se adivinha» perguntam vocês, uma vez que resolvi publicar um post intitulado, precisamente, «Kubo»?
Resposta: porque não cheguei a lá entrar. Não me deixaram porque estava (imagine-se só, estupidez a minha) de chinelos, e o meu namorado de corsários, em pleno verão! (Isto realmente há pessoas que se passeiam nuns trajes que não lembram ao diabo...)
Interpelado à porta com um «boa noite», o macaco que lá estava plantado informou-nos de imediato que «os senhores» não podiam entrar devido «ao calçado que trazem nos pés e aos calções que o senhor traz vestidos». Pequeno apontamento fashion (ainda que não se possa exigir muito mais dum porteiro de discoteca que uma montanha de músculos oleosos e protuberantes enfeitados com um cérebro de passarinho): uns calções diferenciam-se duns corsários na medida em que aqueles terminam acima do joelho, enquanto estes têm cerca de mais um palmo.
À minha estranheza perante a impossibilidade de entrar numa esplanada - fora dum dia de festa - vestido casualmente, o tipo encolheu os ombros e respondeu «normas da casa». No momento seguinte beijocou duas senhoras com havaianas semelhantes às minhas, e deixou-as entrar. «E quem faz aqui as regras sou eu», esclareceu. Estamos em Portugal, e não é preciso dizer mais nada.

nota: uma alternativa muito mais agradável e descontraída a esta palhaçada preconceituosa, totalmente despretensiosa e de entrada «livre», é o bar da Camila, situado no jardim em frente ao museu de Arte Antiga, no cimo das escadinhas de Santos. Tem-se uma vista soberba do «Tejo by night», as bebidas são ao preço que se pagaria num café durante o dia, as tostas mistas uma delícia e o som revivalista (com os velhinhos discos de vinil numa dança frenética em torno do gira-discos de agulha). Muito bom de se estar!
Cool Jazz Fest - Concerto da Norah Jones

No domingo passado encerrou mais uma edição do Cool Jazz Fest, com o concerto da Norah Jones, precedido de apresentação de T.Ward, nos jardins do Casino Estoril.
A noite estava óptima - o que foi um alívio e tanto para quem, como eu, passou o dia por aquelas bandas, já que a praia estava impraticável, com o céu a ameaçar chuva e tudo... - e o programa prometia.
Entrámos cerca das 20h30; a organização parecia boa, com dezenas de jovens fardados de cara sorridente, a encaminharem as pessoas para os lugares marcados. Assim à 1.ª vista, nada parecia destoar, mas um olhar mais atento demonstrava que, à medida que os lugares se afastavam do palco, não só se tornavam mais baratos como os assentos decresciam de qualidade. Passo a explicar;
Os [compradores dos] bilhetes mais baratos, para além de estarem mais perto (do Casino), tinham direito à bela da tábua-corrida, sem encosto para as costas. Uma coisa para jovens, portanto (ao módico preço de 30euros).
A fasquia seguinte sofria um up-grade de 10euros no preço do bilhete, se bem que já se podia encostar, ainda que numa cadeirita de plástico desmontável, do género daquelas que a malta leva para a praia. E foi aqui que me sentei. Ainda o T.Ward não tinha acabado a sua performance, já o show começara nas minhas redondezas, com uma revoada de pessoas «over-70[kgs]» a esborracharem-se no chão (não relvado) com toda a espectacularidade que procede uma queda não planeada.
Quando voltei duma ida à barraca das imperiais, assisti a um mini-motim, com as pessoas a atirar com as cadeiras ao chão e a exigirem o livro de reclamações e/ou o reembolso, perante um exército atónito de empregados que não tinham mãos a medir para as queixas que choviam a cada minuto que passava.
Os ânimos acalmaram um pouco quando a artista cabeça de cartaz entrou em palco, pedindo desculpas «por estar constipada», ainda que ninguém desse conta, pois cantou lindamente, e o único senão foi mesmo a ineptidão das instalações dum concerto que se esperava mais confortável de assistir, depois do preço pago.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

«Belém Pop»

Aproveitando que durante os meses de Julho e Agosto as entradas às sextas, sábados e domingos são à pala, dei ontem um saltinho ao recém-inaugurado Museu Berardo, no CCB.
A exposição está distribuída tematicamente pelos três pisos, um dedicado a cada movimento: os guias aconselham a que se comece pelo do piso -1 (surrealismo), para depois subir ao 1.º (pop art), terminando a visita no -2 (minimalismo). E assim fiz;
Entre Magritte's, Picasso's e Cesariny's, apesar da sonoridade dos nomes, as obras não impressionam por aí além. São uma espécie de «saldos de fim de colecção» de uma loja que, apesar de ser muito boa, já não tem peças que se aproveitem. Pondo isto em linguagem «fashion», é a liquidação total da Loja das Meias do Rossio. Não gostei.
Ainda assim dei o benefício da dúvida, até porque surrealidades não estão propriamente no top 5 dos meus movimentos de eleição, ao contrário da arte pop, pelo que, à medida que subia os degraus, alimentava secretamente a esperança de me deslumbrar perante Andy Wahorl's e Cia., mas a verdade é que apenas duas obras deste artista me «encheram o olho», o resto era, na grande maioria, fotografias a preto e branco de individualidades da época. Uma desilusão.
Finalmente, desci dois lanços de escadas para a recta final, minimalista: uma montagem de alumínio de Pedro Cabrita Reis era o que mais entusiasmava os transeuntes; duas telas negras cujo título era, precisamente, «sem título» porque «a arte é uma forma do artista pensar, mais do que uma expressão do mesmo», era o que mais os intrigava; uma tela gigante d'«O celeiro», de Paula Rego, o que mais os esmagava. Um grupo de velhotes ainda se detinha em torno duma caçarola de barro, onde por detrás um vídeo explicativo demonstrava a arte da olaria, mas não me pareceram mais convencidos do que eu própria, da «singularidade» de tão banal peça.
A arte não é uma colecção de cromos. É impossível ter-se um exemplar salteado dentro de cada género, correndo o risco de agrupar más obras de bons autores e uma ou duas pérolas perdidas, como é o caso desta "Belém Pop". Não valia a pena açambarcar o CCB todo para isto.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

«Queres fazer amor comigo?»

Com encenação de Henrique Félix, está em palco no Teatro da Trindade desde o princípio do mês. Ao longo da peça - que tem a (curta) duração de uma hora e um quarto - cinco actrizes encarnam nove personagens de épocas, estratos sociais e culturas diferentes, onde o objectivo é
cada uma fazer a sua interpretação do que significa a expressão «fazer amor».
A ideia é gira, mas o resultado não funciona tão bem. Porque o maior «tempo de antena» é concedido à actriz menos expressiva, mais errante nas falas, e cuja personagem é mais insossa [a dona dum restaurante afrodisíaco cujas fantasias sexuais consistem em copular em cima de legumes e frutas recém comprados, mergulhando nas «texturas e odores» dos mesmos]. Porque não se geram própriamente questões «controversas» nem «confissões inconfessáveis», como nos revela o cartaz - esse sim, apelativo - aquando da compra dos bilhetes, e portanto não há muito em que pensar, muito em que nos questionarmos ou com que nos espantarmos ao longo da trama, que actualmente, volvidas cerca de duas semanas desde que lá fui, apenas recordo a (curtíssima) passagem duma prostituta cuja linguagem barata e piadas brejeiras incitam ao riso fácil, assim como a representação duma lésbica também tem momentos engraçados, mas longe de serem hilariantes.
A acrescentar a isto, o espectáculo começa atrasado (à boa maneira portuguesa), os cenários são pobres e a sala-estúdio onde enfiam cerca de 5 dezenas de espectadores de cada fornada, decrépita. Não aconselho.