Em Fevereiro deste ano, paguei 100euros e realizei exames no âmbito da 1ª fase de estágio na Ordem dos Advogados (doravante abreviadamente referida como OA). Desculpar o palavreado jurídico, que utilizo e do qual abuso no presente post por entender como o mais apropriado, dado o tema do mesmo.
À semelhança de mais umas largas dezenas de pessoas, reprovei a dois dos três deles. Interpus recurso no prazo de 15 dias úteis contados a partir da publicação oficial dos resultados. Um deles foi deferido, o outro não. Isto significa que desembolsei (mais) 75euros pela (falta de) razão que me foi atribuída, acrescidos doutros 75euros para poder realizar novo exame, sem o qual não completo a gloriosa triologia que me fará superar esta etapa inicial (sim, porque ainda existe uma segunda, apesar de ainda não saber de que burocracias se compõe!).
Inconformada com a decisão, desloquei-me à sede da OA. Duma vez, cheguei fora do horário regulamentar (9:30-12:30 e das 14:00-16:30). Doutra, não era dia de lá estar um formador com quem pudesse falar. Como não há duas sem três, e à terceira é de vez (este último apêndice é criação tua, Mafaldinha!!:) ,até porque de qualquer maneira o prazo acabava nesse dia, ao fim de 2h30 de espera - a ruminar na pilha de trabalho que teria de regresso ao escritório - lá consegui uma audiência com o senhor.
Acontece que, enquanto esperava que este se aprontasse para a «reunião» comigo, como o próprio apelidou pomposamente dos 10minutos que me concedeu já dentro da sala de aula, com trinta pares de olhos impacientes a fixarem-me, outro colega de profissão reconheceu-me das suas aulas, abordando-me com a (sádica) saudação: «Então sôtora? Aqui de volta? Veio buscar os resultados dos exames intercalares, hem?»
À minha resposta de que não os havia realizado por entender que o indeferimento do recurso não tinha razão de ser, ele riu-se maldosamente e aconselhou: «Ora, ora, sôtora, nem devia ter esperado pelo resultado dele. Se não queria atrasar o seu estágio, devia tê-lo feito era agora! A isto chama-se a 'jurisprudência das cautelas'!»
Pois claro. E pagava 150euros sobre 100euros já pagos, antes mesmo de saber o resultado de um recurso que me é reconhecido por direito! Mas grão a grão enche a galinha o papo - ao fim de 3 recursos indeferidos temos um ordenado mínimo nacional garantido, e essa, é a maior das cautelas que uma associação pode ter, manter o cash flow.
quinta-feira, 31 de maio de 2007
TT - Taróloga Telefónica
Poderia estar a falar de um todo-o-terreno, mas de facto, passo a contar a história de algo igualmente versátil (ainda que não portátil) mas que nos pode levar muuiiito mais longe. Basta termos imaginação para isso;
Todos sabemos o quão stressada e louca é a sociedade actual, sempre num lufa-lufa para chegar ao escritório de manhã porque o trânsito está o caos, a correr no emprego para cumprir horários-prazos-objectivos anuais, a debicar qualquer coisa rápida, em pé, num balcão franchisado de fast food numa corrida contra-relógio, o mesmo ritual, mas numa ordem inversa, durante a tarde inteira, para chegar a casa, já de noite, com língua de fora, e nos depararmos com a cama desmanchada e o jantar por fazer... podia ser uma página do diário de muita gente, certo?
Ora, com um estrangulamento destes, todos recorremos aos chamados «facilitadores de vida», serviços que nos permitam espremer o máximo rendimento num tempo mínimo, e cujo último modelito-da-moda consistia na «bimbi», um robot capaz de cozinhar até o que extravasasse a nossa imaginação.
No outro dia ouvi falar da Dna. Dulcinha, e - confesso - passou a liderar o ranking da minha lista. E agora, pergunta o leitor, quem é e o que faz a aludida senhora? Ora, pois muito bem. A Dna. Dulcinha presta serviços de cartomância, não num gabinete/em sua casa, não ao domicílio, mas por CT (conferência telefónica)!!! Desenganem-se os mais incrédulos se acham que isto não funciona: ligamos para um de dois números à escolha, fixo ou telemóvel, respondemos a meia dúzia de perguntas sobre a nossa pessoa (nome completo, filiação, idade, data de aniversário, profissão, estado civil), deixamos um contacto, e ela dá-nos um prazo para recebermos a resposta, assim como outro para lhe enviar um vale de correio no valor de 50euros. A eficácia das suas previsões tem um prazo de validade de 3 meses, ao fim do qual se esgotam os pózinhos de perlimpimpim e a Dna. Dulcinha se desonera completamente de qualquer efeito colateral que o Destino possa ter nas nossas vidas.
Para quem sempre tenha acalentado o sonho de ver o seu Fado traçado nos astros mas nunca se atreveu a responder a um anúncio ou não teve tempo de se deslocar a um médium, a Dna. Dulcinha é simples: está à distância de um telefonema.
Todos sabemos o quão stressada e louca é a sociedade actual, sempre num lufa-lufa para chegar ao escritório de manhã porque o trânsito está o caos, a correr no emprego para cumprir horários-prazos-objectivos anuais, a debicar qualquer coisa rápida, em pé, num balcão franchisado de fast food numa corrida contra-relógio, o mesmo ritual, mas numa ordem inversa, durante a tarde inteira, para chegar a casa, já de noite, com língua de fora, e nos depararmos com a cama desmanchada e o jantar por fazer... podia ser uma página do diário de muita gente, certo?
Ora, com um estrangulamento destes, todos recorremos aos chamados «facilitadores de vida», serviços que nos permitam espremer o máximo rendimento num tempo mínimo, e cujo último modelito-da-moda consistia na «bimbi», um robot capaz de cozinhar até o que extravasasse a nossa imaginação.
No outro dia ouvi falar da Dna. Dulcinha, e - confesso - passou a liderar o ranking da minha lista. E agora, pergunta o leitor, quem é e o que faz a aludida senhora? Ora, pois muito bem. A Dna. Dulcinha presta serviços de cartomância, não num gabinete/em sua casa, não ao domicílio, mas por CT (conferência telefónica)!!! Desenganem-se os mais incrédulos se acham que isto não funciona: ligamos para um de dois números à escolha, fixo ou telemóvel, respondemos a meia dúzia de perguntas sobre a nossa pessoa (nome completo, filiação, idade, data de aniversário, profissão, estado civil), deixamos um contacto, e ela dá-nos um prazo para recebermos a resposta, assim como outro para lhe enviar um vale de correio no valor de 50euros. A eficácia das suas previsões tem um prazo de validade de 3 meses, ao fim do qual se esgotam os pózinhos de perlimpimpim e a Dna. Dulcinha se desonera completamente de qualquer efeito colateral que o Destino possa ter nas nossas vidas.
Para quem sempre tenha acalentado o sonho de ver o seu Fado traçado nos astros mas nunca se atreveu a responder a um anúncio ou não teve tempo de se deslocar a um médium, a Dna. Dulcinha é simples: está à distância de um telefonema.
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Reflexões
Este é, possivelmente, dos posts para mim mais marcantes que vou aqui escrever. Ontem à tarde, pus de lado o meu ateísmo em benefício de algo mais importante, mais profundo, e ao mesmo tempo mais surpreendente: uma das minhas amigas de infância (ceús! como impressiona pensar que já tenho amigas de há 15 anos...!) sentiu aquilo a que chamou de «chamamento» e, a duas semanas de completar 25 anos, decidiu rumar à Alemanha, onde se isolará de amigos e conhecidos por vinte e quatro meses, para se converter em freira. Ou seja, a «simplesmente- Carminho», doravante passará a ser «noviça-Carminho», para mais tarde se tornar «irmã- Carminho».
Na minha sistemática dúvida e cepticismo, é óbvio que não consigo compreender a sua decisão. Independentemente de a respeitar muito, e - indiscutivelmente - de a aceitar. Se isso a faz feliz, terá de me fazer a mim também. Por muito que questione o que é que fará uma rapariga nova, bonita, com um curso superior terminado, níveis de Conservatório concluídos, uma família numerosa e unida e imensos amigos, optar por estudar Teologia e Doutrina da Igreja, as Sagradas Escrituras e como fazer arranjos florais, jardinar, cozinhar e lidar com outras tarefas domésticas. Mas acima de tudo, quão extraordinária é a sua Fé, para dedicar o resto da sua vida a servir algo que não pode ver, mas só sentir, que não pode tocar, mas só imaginar. Com quem conversa, mas recebe respostas não faladas, mas ainda assim ouvidas.
Na missa celebrada em sua despedida, os presentes eram tantos que metade não couberam na capela e ficaram à chuva, a ouvi-la cantar. Confesso que tinha lágrimas a escorrerem-me pela cara abaixo, num dueto que fez com a irmã Martinha, de apenas 5 anos. O jantar que se seguiu contava com mais de duas dezenas de pessoas, e por volta da meia-noite, quando me vim embora, ainda a procissão ia no adro...
Se Deus existir, seja lá onde ele se encontrar, que esteja com ela, agora e para sempre. Amén.
Na minha sistemática dúvida e cepticismo, é óbvio que não consigo compreender a sua decisão. Independentemente de a respeitar muito, e - indiscutivelmente - de a aceitar. Se isso a faz feliz, terá de me fazer a mim também. Por muito que questione o que é que fará uma rapariga nova, bonita, com um curso superior terminado, níveis de Conservatório concluídos, uma família numerosa e unida e imensos amigos, optar por estudar Teologia e Doutrina da Igreja, as Sagradas Escrituras e como fazer arranjos florais, jardinar, cozinhar e lidar com outras tarefas domésticas. Mas acima de tudo, quão extraordinária é a sua Fé, para dedicar o resto da sua vida a servir algo que não pode ver, mas só sentir, que não pode tocar, mas só imaginar. Com quem conversa, mas recebe respostas não faladas, mas ainda assim ouvidas.
Na missa celebrada em sua despedida, os presentes eram tantos que metade não couberam na capela e ficaram à chuva, a ouvi-la cantar. Confesso que tinha lágrimas a escorrerem-me pela cara abaixo, num dueto que fez com a irmã Martinha, de apenas 5 anos. O jantar que se seguiu contava com mais de duas dezenas de pessoas, e por volta da meia-noite, quando me vim embora, ainda a procissão ia no adro...
Se Deus existir, seja lá onde ele se encontrar, que esteja com ela, agora e para sempre. Amén.
quinta-feira, 24 de maio de 2007
«Jogo de Infidelidades»
«Trust the man» é o título original deste filme, com Julianne Moore e David Duchovny nos principais papéis. Conta-nos a história de dois casais: um casado e com dois filhos pequenos em que ele é desempregado e ela uma mediática actriz de teatro, ambos na casa dos 35. O outro casal, é composto pelo irmão dela e a sua namorada, um par de anos mais novos e sem filhos que, apesar de estarem juntos há 7 anos, casamento e/ou filhos - para ele - nem vê-lo(s). Ele é, igualmente, desempregado, ela trabalha num escritório e sonha em publicar um livro infantil.
Para falar com franqueza, estava à espera duma trama mais profunda, algo semelhante a «Pecados Íntimos», esse sim, um excelente filme protagonizado por Kate Winslet e Jude Law, que também esteve há pouco no cinema e mostra quão solitária uma pessoa se pode sentir numa relação.
Portanto, para o filme cujo título serve de epígrafe a este post, esperar por que chegue à t.v. e vê-lo calmamente em casa, à falta de melhor programa. Relativamente ao que serve de termo de comparação, alugar e ver assim que der, porque apesar de parecer banal, no fim dá muito que pensar.
Para falar com franqueza, estava à espera duma trama mais profunda, algo semelhante a «Pecados Íntimos», esse sim, um excelente filme protagonizado por Kate Winslet e Jude Law, que também esteve há pouco no cinema e mostra quão solitária uma pessoa se pode sentir numa relação.
Portanto, para o filme cujo título serve de epígrafe a este post, esperar por que chegue à t.v. e vê-lo calmamente em casa, à falta de melhor programa. Relativamente ao que serve de termo de comparação, alugar e ver assim que der, porque apesar de parecer banal, no fim dá muito que pensar.
quarta-feira, 16 de maio de 2007
The American Dream
Tenho uma amiga que (provavelmente) ainda antes de aprender a falar, já queria passar o resto da vida nos Estados Unidos. A fazer o quê? Não sabia. Aonde? Também não. Tão pouco isso a importava. Desde que fosse para os Estados Unidos.
Começando com aqueles projectos impossíveis que todas as crianças têm, com empregos tão impossíveis como treinar baleias ou tão extraordinários como ir para a NASA, a Vera tem actualmente 24 anos, acabou o curso de Psicologia, e embarca amanhã para Nova Iorque, em busca do seu sonho de sempre. À sua espera, tem apenas um emprego de Verão num campo de férias, actividade que já realiza há meia dúzia de anos sempre em Estados diferentes. Tudo o resto vai no seu imaginário e na capacidade de desenrasque que demonstrar para se fazer valer.
Eu por cá, desejo-lhe as maiores felicidades, admiro sinceramente o seu desprendimento, a capacidade que tem de deixar para trás tudo o que lhe é querido e que conhece para se aventurar nesta vida nova, e anseio por que no próximo Outono, quando voltar a Lisboa para festejar o seu quarto de século, o faça com o visto de residência na mão, se é esse o seu desejo.
Boa viagem, miúda!
Começando com aqueles projectos impossíveis que todas as crianças têm, com empregos tão impossíveis como treinar baleias ou tão extraordinários como ir para a NASA, a Vera tem actualmente 24 anos, acabou o curso de Psicologia, e embarca amanhã para Nova Iorque, em busca do seu sonho de sempre. À sua espera, tem apenas um emprego de Verão num campo de férias, actividade que já realiza há meia dúzia de anos sempre em Estados diferentes. Tudo o resto vai no seu imaginário e na capacidade de desenrasque que demonstrar para se fazer valer.
Eu por cá, desejo-lhe as maiores felicidades, admiro sinceramente o seu desprendimento, a capacidade que tem de deixar para trás tudo o que lhe é querido e que conhece para se aventurar nesta vida nova, e anseio por que no próximo Outono, quando voltar a Lisboa para festejar o seu quarto de século, o faça com o visto de residência na mão, se é esse o seu desejo.
Boa viagem, miúda!
segunda-feira, 14 de maio de 2007
«Spider Man III»
Diz quem leu avidamente a banda desenhada na sua infância, que o filme continua a ser fidelíssimo aos quadradinhos originais. Como não foi o caso, tenho de me limitar à minha opinião de leiga no que toca a homens enfiados em fatos de licra, coloridos e justinhos, que disparam fios de teia dos dedos e trepam aranha-céus de Nova Iorque. O que, afinal, não constitui grande novidade, já que se repete ao longo de todas as 3 sagas que já percorreram a tela do cinema.
Salvo no que toca à metrossexualidade do protagonista. É que, a páginas tantas, o nosso herói é atacado por esta geleia peganhenta e viscosa, de cor negra, que faz dele um heartbreaker, insensível a ponto de mandar uma lamparina na namorada, fashion victim até às últimas ao carregar sacos de compras - qual Paris Hilton na 5th Avenue - parolo «nas horas». Não sei se esta faceta é só novidade para mim, ou para um leque mais vasto de gente, no geral, mas lá que tirou uma lasca à imagem de «durão» que eu tinha do aranhiço humano... mas penso que faz parte dos males de crescermos, a humanização dos heróis...
Salvo no que toca à metrossexualidade do protagonista. É que, a páginas tantas, o nosso herói é atacado por esta geleia peganhenta e viscosa, de cor negra, que faz dele um heartbreaker, insensível a ponto de mandar uma lamparina na namorada, fashion victim até às últimas ao carregar sacos de compras - qual Paris Hilton na 5th Avenue - parolo «nas horas». Não sei se esta faceta é só novidade para mim, ou para um leque mais vasto de gente, no geral, mas lá que tirou uma lasca à imagem de «durão» que eu tinha do aranhiço humano... mas penso que faz parte dos males de crescermos, a humanização dos heróis...
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Vocações
Um outro tipo de «dúvida», não tão grave como a posta em causa na peça de teatro, mas nem por isso menos importante, é o exercício da nossa vocação: como compatibilizá-la com uma profissão que nos permita manter um nível de vida agradável, senão - pelo menos - condigno?
A resposta a esta pergunta não é fácil. Um dia, o meu pai disse-me que há 3 factores importantes na procura de um emprego: (i) bom ambiente de trabalho; (ii) remuneração compatível com a função desempenhada; (iii) possibilidade de progressão na carreira. Sendo que, aparentemente, das 3 só conseguiríamos abarcar 2, pelo que, quando as encontrasse, não devia olhar para trás. E assim fiz.
Porém, esqueceu-se de um (iv), de importância primordial face aos enunciados, apesar destes estarem organizados por ordem completamente aleatória, que é o da vocação, do GOSTO pela profissão.
Talvez porque na época em que arranjou emprego (25 de Abril) as coisas eram muito diferentes. Talvez porque a sua formação económica e financeira lhe dá conhecimentos técnicos privilegiados relativamente aos demais, e sabe que a conjuntura não está propícia a grandes mudanças. Ou simplesmente talvez só porque é meu pai e se preocupa comigo. O facto é que ele acredita mesmo que uma profissão não se gosta, tem-se. Para se desfrutar, dispomos dos tempos livres, nos quais desenvolvemos passatempos.
A mim, custa-me ver o cenário tão «preto no branco». Durante uns meses, anos até, esforcei-me por ir ao encontro da sua maneira de pensar, vivendo inclusive de modo coerente com a mesma. O resultado, é uma frustação profissional elevada, acrescida duma ansiedade e angústia crescentes, por sentir que os resultados do meu trabalho não são proporcionais ao esforço que nele emprego. Para além duma culpabilização constante «dos outros» quanto àquilo que, no fundo, é a minha vida.
Portanto, e porque com (quase) um quarto de século completado já não tenho idade para continuar a responsabilizar «os outros» pelas minhas escolhas, hoje resolvi fazer alguma coisa por mim, para mudar. Para melhor.
A resposta a esta pergunta não é fácil. Um dia, o meu pai disse-me que há 3 factores importantes na procura de um emprego: (i) bom ambiente de trabalho; (ii) remuneração compatível com a função desempenhada; (iii) possibilidade de progressão na carreira. Sendo que, aparentemente, das 3 só conseguiríamos abarcar 2, pelo que, quando as encontrasse, não devia olhar para trás. E assim fiz.
Porém, esqueceu-se de um (iv), de importância primordial face aos enunciados, apesar destes estarem organizados por ordem completamente aleatória, que é o da vocação, do GOSTO pela profissão.
Talvez porque na época em que arranjou emprego (25 de Abril) as coisas eram muito diferentes. Talvez porque a sua formação económica e financeira lhe dá conhecimentos técnicos privilegiados relativamente aos demais, e sabe que a conjuntura não está propícia a grandes mudanças. Ou simplesmente talvez só porque é meu pai e se preocupa comigo. O facto é que ele acredita mesmo que uma profissão não se gosta, tem-se. Para se desfrutar, dispomos dos tempos livres, nos quais desenvolvemos passatempos.
A mim, custa-me ver o cenário tão «preto no branco». Durante uns meses, anos até, esforcei-me por ir ao encontro da sua maneira de pensar, vivendo inclusive de modo coerente com a mesma. O resultado, é uma frustação profissional elevada, acrescida duma ansiedade e angústia crescentes, por sentir que os resultados do meu trabalho não são proporcionais ao esforço que nele emprego. Para além duma culpabilização constante «dos outros» quanto àquilo que, no fundo, é a minha vida.
Portanto, e porque com (quase) um quarto de século completado já não tenho idade para continuar a responsabilizar «os outros» pelas minhas escolhas, hoje resolvi fazer alguma coisa por mim, para mudar. Para melhor.
quinta-feira, 10 de maio de 2007
«La Siesta»
Situado numa zona ribeirinha da capital desafogada e com uma vista soberba sobre o Tejo, este restaurante mexicano - actualmente muito na moda em Lisboa - faz, na verdade, justiça à fama que tem vindo a angariar.
Chegando à estação de Algés, dirigimo-nos para as antigas instalações da Docapesca, agora em estado de degredo, e seguimos sempre em frente, na direcção do rio. Ao fundo, avista-se um casarão pintado de rosa velho e azulão, com uma esplanada virada para a margem Sul e para o delta onde as águas do Tejo se misturam com o mar, como música de fundo uns animados sons provindos da América Latina.
O atendimento é rápido e atencioso, a comida bem condimentada, se bem que em doses no limite da moderação, as Margarita's de tentar até o mais pio dos abstémios...! Sem cafés nem sobremesas, a refeição ficou em 30euros para duas pessoas. Perfeitamente aceitável e acessível, este restaurante está aberto todos os dias da semana, sendo um poiso a visitar mais vezes, agora que se aproxima o Verão e apetece estar a admirar o pôr-do-sol...
Chegando à estação de Algés, dirigimo-nos para as antigas instalações da Docapesca, agora em estado de degredo, e seguimos sempre em frente, na direcção do rio. Ao fundo, avista-se um casarão pintado de rosa velho e azulão, com uma esplanada virada para a margem Sul e para o delta onde as águas do Tejo se misturam com o mar, como música de fundo uns animados sons provindos da América Latina.
O atendimento é rápido e atencioso, a comida bem condimentada, se bem que em doses no limite da moderação, as Margarita's de tentar até o mais pio dos abstémios...! Sem cafés nem sobremesas, a refeição ficou em 30euros para duas pessoas. Perfeitamente aceitável e acessível, este restaurante está aberto todos os dias da semana, sendo um poiso a visitar mais vezes, agora que se aproxima o Verão e apetece estar a admirar o pôr-do-sol...
«Dúvida»
Peça de teatro que se apresenta hoje pela última vez em palco no teatro Maria Matos, em Lisboa, depois de uma semana de exibições extraordinárias, dada a afluência do público.
Antes de comentar a peça propriamente dita, deixo só uma pequena referência ao teatro, cujas novas instalações ainda não visitara e estão de facto muito aprazíveis, em contraste com as antigas, que apresentavam já um ar algo decadente. Só é uma pena o café ser demasiado...hum...requintado. Não quero ser mal interpretada, mas no café de um teatro, refrigerantes, chocolates e outros snacks são capazes de mostrar maior utilizadade que sushi ou elaboradas sanduíches de chèvre com pimenta preta. Sem estar a querer menosprezar o palato destas iguarias, bem entendido, mas só que não é exactamente uma coisa prática de encomendar, num intervalo de 15min entre duas cenas.
Mas centrando-me na história, em si - fala de um tema bastante em voga nas sociedades contemporâneas: o abuso de menores. Eunice Muñoz encarna o papel de freira-directora de uma escola; Diogo Infante o de um jovem padre que é professor de Educação Física. As freiras mais jovens derretem-se com ele, e goza de bastante popularidade entre os alunos.
Um dia, contudo, a Irmã responsável pela turma do único aluno negro da escola, aborda a directora àcerca dum episódio estranho, em viu o professor de Educação Física numa reunião privada com o dito aluno no presbitério, donde este saiu deveras perturbado. A suspeita instala-se, a dúvida cria-se, e todo o enredo se desenvolve em torno desta questão. Particularmente impressionante, é a cena em que a directora comunica à mãe do estudante o que pode estar a passar-se, e esta reage dizendo, entre outras coisas, que no mundo dela, há certas coisas que se têm de aguentar, e não importam nem devem ser reveladas, nem são para ser conhecidas.
O elenco é fantástico, ver Eunice Muñoz a representar em carne e osso, um verdadeiro privilégio, a peça foi distinguida com um prémio e, se for algum dia passada na televisão, não deve ser perdida.
Antes de comentar a peça propriamente dita, deixo só uma pequena referência ao teatro, cujas novas instalações ainda não visitara e estão de facto muito aprazíveis, em contraste com as antigas, que apresentavam já um ar algo decadente. Só é uma pena o café ser demasiado...hum...requintado. Não quero ser mal interpretada, mas no café de um teatro, refrigerantes, chocolates e outros snacks são capazes de mostrar maior utilizadade que sushi ou elaboradas sanduíches de chèvre com pimenta preta. Sem estar a querer menosprezar o palato destas iguarias, bem entendido, mas só que não é exactamente uma coisa prática de encomendar, num intervalo de 15min entre duas cenas.
Mas centrando-me na história, em si - fala de um tema bastante em voga nas sociedades contemporâneas: o abuso de menores. Eunice Muñoz encarna o papel de freira-directora de uma escola; Diogo Infante o de um jovem padre que é professor de Educação Física. As freiras mais jovens derretem-se com ele, e goza de bastante popularidade entre os alunos.
Um dia, contudo, a Irmã responsável pela turma do único aluno negro da escola, aborda a directora àcerca dum episódio estranho, em viu o professor de Educação Física numa reunião privada com o dito aluno no presbitério, donde este saiu deveras perturbado. A suspeita instala-se, a dúvida cria-se, e todo o enredo se desenvolve em torno desta questão. Particularmente impressionante, é a cena em que a directora comunica à mãe do estudante o que pode estar a passar-se, e esta reage dizendo, entre outras coisas, que no mundo dela, há certas coisas que se têm de aguentar, e não importam nem devem ser reveladas, nem são para ser conhecidas.
O elenco é fantástico, ver Eunice Muñoz a representar em carne e osso, um verdadeiro privilégio, a peça foi distinguida com um prémio e, se for algum dia passada na televisão, não deve ser perdida.
Bem vindos(as)!
Não é a 1a vez que enceto um blogue. Da outra feita, porém, não me saí tão bem, e - ao fim de 4 ou 5 meses a alimentar o «piqueno» de posts diários, qual mãe em fase de aleitamento à sua cria -, desleixei-me, abandonando os meus (fiéis) comentadores-do-costume, acrescidos de alguns visitantes esporádicos.
Volvido o momento poético do dia (não sei se repararam na rima...), essa fase acabou. Decidi voltar em força, duma forma regular, com o objectivo de escrever pequenas histórias inventadas ou comentários à actualidade, despretensiosos, sem grandes floreados, apenas para distrair. Todos aqueles que quiserem participar, estão à vontade - afinal, só tornarão mais estimulantes estes pequenos momentos de escrita, com o seu feedback.
Mi aguárdem!
Volvido o momento poético do dia (não sei se repararam na rima...), essa fase acabou. Decidi voltar em força, duma forma regular, com o objectivo de escrever pequenas histórias inventadas ou comentários à actualidade, despretensiosos, sem grandes floreados, apenas para distrair. Todos aqueles que quiserem participar, estão à vontade - afinal, só tornarão mais estimulantes estes pequenos momentos de escrita, com o seu feedback.
Mi aguárdem!
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