Peça de teatro que se apresenta hoje pela última vez em palco no teatro Maria Matos, em Lisboa, depois de uma semana de exibições extraordinárias, dada a afluência do público.
Antes de comentar a peça propriamente dita, deixo só uma pequena referência ao teatro, cujas novas instalações ainda não visitara e estão de facto muito aprazíveis, em contraste com as antigas, que apresentavam já um ar algo decadente. Só é uma pena o café ser demasiado...hum...requintado. Não quero ser mal interpretada, mas no café de um teatro, refrigerantes, chocolates e outros snacks são capazes de mostrar maior utilizadade que sushi ou elaboradas sanduíches de chèvre com pimenta preta. Sem estar a querer menosprezar o palato destas iguarias, bem entendido, mas só que não é exactamente uma coisa prática de encomendar, num intervalo de 15min entre duas cenas.
Mas centrando-me na história, em si - fala de um tema bastante em voga nas sociedades contemporâneas: o abuso de menores. Eunice Muñoz encarna o papel de freira-directora de uma escola; Diogo Infante o de um jovem padre que é professor de Educação Física. As freiras mais jovens derretem-se com ele, e goza de bastante popularidade entre os alunos.
Um dia, contudo, a Irmã responsável pela turma do único aluno negro da escola, aborda a directora àcerca dum episódio estranho, em viu o professor de Educação Física numa reunião privada com o dito aluno no presbitério, donde este saiu deveras perturbado. A suspeita instala-se, a dúvida cria-se, e todo o enredo se desenvolve em torno desta questão. Particularmente impressionante, é a cena em que a directora comunica à mãe do estudante o que pode estar a passar-se, e esta reage dizendo, entre outras coisas, que no mundo dela, há certas coisas que se têm de aguentar, e não importam nem devem ser reveladas, nem são para ser conhecidas.
O elenco é fantástico, ver Eunice Muñoz a representar em carne e osso, um verdadeiro privilégio, a peça foi distinguida com um prémio e, se for algum dia passada na televisão, não deve ser perdida.
quinta-feira, 10 de maio de 2007
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