Um outro tipo de «dúvida», não tão grave como a posta em causa na peça de teatro, mas nem por isso menos importante, é o exercício da nossa vocação: como compatibilizá-la com uma profissão que nos permita manter um nível de vida agradável, senão - pelo menos - condigno?
A resposta a esta pergunta não é fácil. Um dia, o meu pai disse-me que há 3 factores importantes na procura de um emprego: (i) bom ambiente de trabalho; (ii) remuneração compatível com a função desempenhada; (iii) possibilidade de progressão na carreira. Sendo que, aparentemente, das 3 só conseguiríamos abarcar 2, pelo que, quando as encontrasse, não devia olhar para trás. E assim fiz.
Porém, esqueceu-se de um (iv), de importância primordial face aos enunciados, apesar destes estarem organizados por ordem completamente aleatória, que é o da vocação, do GOSTO pela profissão.
Talvez porque na época em que arranjou emprego (25 de Abril) as coisas eram muito diferentes. Talvez porque a sua formação económica e financeira lhe dá conhecimentos técnicos privilegiados relativamente aos demais, e sabe que a conjuntura não está propícia a grandes mudanças. Ou simplesmente talvez só porque é meu pai e se preocupa comigo. O facto é que ele acredita mesmo que uma profissão não se gosta, tem-se. Para se desfrutar, dispomos dos tempos livres, nos quais desenvolvemos passatempos.
A mim, custa-me ver o cenário tão «preto no branco». Durante uns meses, anos até, esforcei-me por ir ao encontro da sua maneira de pensar, vivendo inclusive de modo coerente com a mesma. O resultado, é uma frustação profissional elevada, acrescida duma ansiedade e angústia crescentes, por sentir que os resultados do meu trabalho não são proporcionais ao esforço que nele emprego. Para além duma culpabilização constante «dos outros» quanto àquilo que, no fundo, é a minha vida.
Portanto, e porque com (quase) um quarto de século completado já não tenho idade para continuar a responsabilizar «os outros» pelas minhas escolhas, hoje resolvi fazer alguma coisa por mim, para mudar. Para melhor.
sexta-feira, 11 de maio de 2007
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