quinta-feira, 28 de junho de 2007

O Tim e Eu

Tal como o Marley, o Tim é um golden retriver. Não é americano, nem foi escolhido ao acaso. Nunca morou nas montanhas, nem teve crianças para brincar. Foi antes cobiçado durante cerca de dez anos, escolhido como se se tratasse dum peluche de estimação, enfiado num saco de pano para brinquedos e retornado à precedência dois dias depois por vir com «tosse de canil» de casa.
Ensinado com tanta paciência quanto falta de jeito, o Tim só se sabe sentar (a seguir levanta a pata, mas é num puro acto reflexo) e pedir comida à mesa, com o queixo a babar para cima do colo da vítima-do-momento.
Tem uns enormes olhos que parecem contas pretas, e - apesar de já estarem ambos manchados com cataratas - conservam a ternura e a dedicação de quando era cachorro. É sempre o primeiro a dar-nos as boas-vindas quando chegamos a casa, com um brinquedo entalado na boca, que mal tentamos alcançar logo nos foge, num permanente desafio à brincadeira. Salvo deitarmos a cabeça no seu lombo, o Tim permite-nos fazer-lhe de tudo, desde enfiar-lhe a t-shirt do Figo e festejar o Sporting campeão, a pôr-lhe uma coroa na cabeça pelo seu aniversário, ser amarrado por elásticos coloridos nas orelhas ou atado um balão na ponta da cauda.
Daqui a exactamente um mês, o Tim fará 10 anos de cão. Cerca de 70 humanos. Se conseguir lá chegar. Neste momento, o Tim está bastante doente, ninguém percebe porquê nem o que tem, mas se o pior acontecer - e por muito que eu não queira pensar nisso - ele foi e será sempre, o melhor cão que eu poderia ter tido.

terça-feira, 26 de junho de 2007

«Lady Chatterley»

Adaptado a partir do livro de D.H.Lawrence («O amante de Lady Chatterley»), o filme conta-nos a história de Constance, uma jovem da classe alta que casa com Lord Clifford Chatterley pouco antes deste ir para a Guerra, onde fica paralisado da cintura para baixo.
Os dias sucedem-se monótonos e rotineiros no castelo onde ambos residem totalmente isolados da sociedade, até ao dia em que Constance conhece Parkin, o guarda do couteiro. Começando por lhe fazer visitas esporádicas, depressa a convivência entre os dois se estreita, nascendo uma relação amorosa clandestina que, para ela, é o despertar da sua sexualidade, enquanto para ele é o relembrar duma vivência há muito renegada, uma vez que Parkin levava uma vida solitária, desde que a esposa o abandonara para ir viver com outro homem.
O filme ganhou 5 césannes - o prémio mais importante do cinema francês: melhor filme; melhor actriz; melhor argumento adaptado; melhor guarda-roupa; melhor fotografia. E vale bastante a pena ir vê-lo, num dia em que a pré-disposição para assistir a um bom filme esteja em alta, já que são quase 3 horas de rodagem, a um ritmo um tanto ou quanto lento. Mas vale a pena.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

«Meninos do Rio»

Sendo esta a expressão que levou ao trocadilho com o qual baptizei o meu blogue, e tendo em conta que este já comemora um mesito de vida, de facto era uma falta de consideração que eu ainda não tivesse post-ado sobre ele. Pena que seja por maus motivos;
Apesar do verão começar, oficialmente, hoje, resolvi fazer uma pequena antecipação e abrir a época ontem. Daí que, à saída do escritório, dei lá um pulo para um snack e dois dedos de conversa com uma amiga de longa data.
Instaladas na soalheira esplanada que nem duas lagartas, ao calor ameno do final da tarde e com a desafogada vista para a margem Sul (à qual dispenso fazer comentários mais escaldantes pelo esgotamento de que o assunto já foi alvo), ao fim de meia hora ainda não tínhamos sido atendidas. Como a sede (e a fome!) já apertassem bastante, uma de nós levantou-se para passar ao regime de self-service, no qual só foi parcialmente bem sucedida, porque entretanto fomos informadas que «tostas, só a partir das 20h30».
Não faço ideia do que acontece de extraordinário a partir dessa hora, nem nunca tinha ouvido dum período especial para se «comerem tostas», mas não tivemos outro remédio para além de matar-o-bicho com coca-colas e esperar pelo jantar, nas respectivas casas.
Acho que o sítio não merece, decididamente, a fama que tem. Há muitos outros, pela zona ribeirinha fora, igualmente atraentes em termos de espaço, e - com toda a certeza - com um atendimento melhor. E sem constrangimentos horários para a comida!

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Cantores do chuveiro, uni-vos!

Já tinha ouvido maravilhas deste programa, mas só ao fim de duas vezes fiquei convencida.
Receita para noite de borga-económica com os amigos:
1. Juntar grupo de amigos (entre a meia dúzia e o dobro), imperiais, sangria, caipirinhas, caipiroskas, margaritas, ou outra qualquer bebida alcoólica. O importante é a quantidade (se bem que a variedade também é capaz de ser apreciada);
2. Começar por conversar civilizadamente à mesa, com uns aperitivos salgados por companhia e UMA singela bebida por companhia;
3. Ir aumentando progressivamente os «bebes» enquanto os «comes» diminuem na proporção inversa;
4. Introduzir o tópico «buzz» - um jogo de perguntas e respostas que se joga na tv, através duma consola, em que o Jorge Gabriel dá a voz a um apresentador muito animado, com concorrentes para lá de ridículos (o meu comia o chapéu de cada vez que perdia. Tendo em consideração que os mes reflexos são lentos, e que portanto a pontuação deixou um tanto ou quanto a desejar, digamos que de chapéu pouco sobrou no final, mas já a vencedora, não sei como não ficou entrevada com uma hérnia, tais eram os contorcionismos que fazia com o rabo a dar-a- dar, de cada vez que acertava numa resposta);
5. Quando o pessoal começar a animar, enfiar-lhes com umas fatias de pizza pela goela abaixo - afinal, não se querem os concorrentes a cairem de bêbados, senão ninguém conseguiria ler as letras das músicas, a seguir;
6. De volta à competição, tirar «buzz» e introduzir «sing star» na consola;
7. Desafinar que nem uns doidos até à exaustão, à rouquidão, ou a algum vizinho menos bem disposto com a sua (falta de) paz merecida para adormecer tocar à porta e acabar com a festa de forma abrupta (a evitar, pelos motivos óbvios).
Nota: na minha opinião, a faixa dos «80's» é a melhor, mas vem aí uma versão «tuga» que também promete.

p.s. Pequeno senão: a ressaca brutal que temos de arcar, juntamente com a nossa pessoa, durante todo o dia seguinte, no trabalho. Mas vale a pena!

terça-feira, 19 de junho de 2007

Eutanásia

Hoje o «Público» destaca como notícia que, num estudo realizado junto do respectivo meio profissional, se apurou que cerca de 40% dos médicos especialistas em Oncologia concordam com as práticas de morte assistida, apesar de apenas metade afirmar, efectivamente, vir a utilizá-las no caso de tal lei ser aprovada.
Isso deu-me que pensar porque de momento conheço uma pessoa que está numa dessas situações terminais, e esta prática poder-lhe-ia ser muito útil se ela estivesse devidamente regulamentada, como é óbvio.
Tem mais ou menos a idade do meu pai, anda na casa dos 50's, e há uns anos foi-lhe diagnosticado um cancro na laringe (ou na faringe, mas é por aí). Fez as baterias de tratamentos recomendadas e o tumor estabilizou. Para além de ser médico de profissão, a pessoa em causa é um fumador inveterado, e o cachimbo falou nela mais alto, e assim recusou a prescindir do vício e o resultado foi o pior possível: agora a doença voltou, mais forte do que nunca, e dificilmente poderá ser travada. A começar porque o doente em causa não quer submeter-se a mais dolorosas cirurgias e (ainda mais) dolorosos tratamentos.
E eu consigo perfeitamente compreender e respeitar isso. Claro que para mim é mais fácil do que para os seus familiares e amigos porque não somos ligados por nenhum laço afectivo. No entanto, o senhor sempre me inspirou um certo respeito e admiração, até. Dado o seu feitio orgulhoso, é de todo compreensível que prefira uma morte digna a uma sobrevivência vegetativa, sofredora, e dependente dos que o rodeiam.
É uma atitude sobretudo muito corajosa da sua parte, entendo eu, na qual ninguém para além dele deveria poder interferir.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Puns, precisam-se!

Estava eu embrenhada em pesquisas jurisprudenciais sobre «justa causa de despedimento», eis senão quando me depàro com a pérola jurídica que passo a transcrever, até porque me parece que pode ser um belo modo reivindicativo para usar contra a entidade empregadora de todos quantos passarem por este blogue;
Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, de 16-05-1990: «A gravidade da infracção disciplinar deve ser apreciada nos planos objectivo como subjectivo (...) O acto isolado do trabalhador arguido ter feito 'expelir ar pelo ânus' [vulgo, peido] quando por ele passava um seu superior hierárquico (...) não alcança a gravidade que ponha justificadamente em causa a continuidade da relação laboral».
Portanto, ficam a saber: se por algum acaso se sentirem oprimidos, revoltados, chateados que seja com o vosso boss, expilam(?) o que quer que vos aprouva pelo olho-do-c*, que não correrão o risco de ir para o olho-da-rua!

sexta-feira, 15 de junho de 2007

(Sem) Sexo & (só com) a Cidade

Apesar de não haverem loiras nem as conversas se desenrolarem, obrigatória e sistematicamente, em torno do «dito cujo», todas as semanas, às sextas-feiras, quatro amigas almoçam tranquilamente lá para os lados da Castilho-do-meio. Isto porque, uma vem da Castilho-de-cima, outra da Castilho-de-baixo, uma das Amoreiras e outra do Marquês. Caramba - este (quase) podia ser o anúncio velho, velhinho do super pop, com a competição entre Vila-riba e Vila-baixa, quem (não) se lembra?
Ah, mas continuando - não que as ditas meninas sejam seres assexuados, hermafroditas ou gélidas de coração, sequer. Mas porque há temas TÃO mais interessantes para debater, f.f.'s (fofocas femininas), planos de férias, mais f.f.'s e mais planos, um filme que se viu e se gostou, uns saldos que fizeram «o» rombo do mês na carteira ou o livro que pàra à mesa de cabeceira, que simplesmente os homens se querem de fora.
Mas fica-nos a cidade. Ainda que não tão alucinante quanto NY, nem com uma oferta cultural tão vasta, eu cá gosto muito de Lisboa. Sempre que saio, quando volto sinto orgulho, e saudades, e continuarei a achar que é um sítio agradável de se morar, digam o que disserem: afinal, quantos se podem gabar de viver a 15min da praia?!
Finalmente, ficam-nos ainda (e sempre) as amigas, aquelas em quem podemos confiar, e que nos aturam nos dias maus e dividem connosco os dias bons, desde o calvário do estágio na Ordem àquelas memoráveis férias por Portugal inteiro (Óbidos, Algarve, só a mim me falta cumprir a etapa Caminha. Mea culpa). Meninas, este post foi criado única e exclusivamente em homenagem às Mosqueteiras dos preços baixos, vivam as compras!!!:)
«Salazar - The Musical»

Fui ontem ao Villaret, na esperança de dar umas boas gargalhadas, para terminar em beleza a minha semana de fim de férias, eis senão quando me deparo com o maior flop da história do teatro: pretensamente hilariante, a peça conta com meia dúzia de actores aos pinotes dum lado para o outro o tempo inteiro, a esganiçarem-se nem sempre com piada (suponho que fosse a parte do musical), para uma plateia pelada - meia dúzia de gatos pingados semeados aos nichos aqui e ali, entre os quais se contavam eu e o amigo do costume que arrasto para estas (infelizes) iniciativas culturais da minha pessoa. Não se pode ter jeito para tudo. E, na condução dos meus programas, devia - decididamente - deixar-me levar pelas opiniões dos outros (salvo a do meu namorado em matéria cinematográfica, ou é certo que não durmo a noite inteira, tal é a sangria desatada da história). Desculpa, David.
Há uma ou duas cenas engraçadas, nomeadamente: a do enterro da mãe de Salazar; quando a Maria narra ao António o quanto gostou de «Música no Coração»; a cena de ciúmes que a Maria protagoniza à conta de Christine, em que faz de cão e de gato; e a da saída, em que ficamos surpreendentemente agradados com o facto da peça ser de curta duração (1h15m) e atravessamos a rua a correr, na esperança que às 22h45m a Pizza Hut ainda sirva qualquer coisa para matar o bicho.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Farto de passar o dia no escritório, em frente ao pc?
É assim que se sente?
Ria-se, descontraia
Imagine que está na praia
A água do mar a convidar pra um mergulho
São FÉRIAS!

Pois então - aproveitando feriados e pontes, com 3 dias passaram-se 7, fiz o chamado «aqueduto» (ainda que não o super-tubo, senão a esta hora ainda estaria de papo para o ar ao sol, e não a ver a chuva a abanar as ramadas da árvore que assim chicoteiam a janela do meu gabinete) e rumei para o All garve, onde - ao contrário das pessimistas previsões, quer do google, como do yahoo weather, ou ainda do Instituto Português de Metereologia - fez sempre um tempo espectacular, a chuva só caía mesmo à noite, quando a malta dormia (e cá em Lisboa, onde ficaram as formigas, enquanto as cigarras se regalavam na praia...).
Tudo muito simples, pouco planeado, mas imensamente apreciado: acordar a uma hora moderadamente tardia, arrastar o corpo até ao café mais próximo (porque há vícios que nunca se perdem, não importa o quão longe estamos do escritório), daí aí à praia, onde se assentam arraiais até a barriga dar horas.
Nova incursão até a águas azuis - desta feita, da piscina - ao fim da tarde, boa leitura por companhia e amigos ainda melhores, uns gelados na marina de Vilamoura, umas partidas de snooker ou umas amêijoas n'«O Pinhal» (restaurante altamente recomendável pela agradável relação preço-qualidade-tempo-de-espera, mesmo em frente ao Sheraton Pine Cliffs) como programas em after hours, e a festa ficou feita. Até Agosto.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

O meu perfil

Recebi hoje um email muito interessante, em que o Dalai Lama (alegadamente) dizia qualquer coisa como «a alma ser uma pàra-quedas, funcionando melhor quando aberta» (pior são aquelas que se recusam a funcionar, e nos despenham directamente no chão, sem sobrar nadinha para contar a história...).
Mas enfim, este relacionava-se com um tal de «karma» (ou seria de «tantra»?), que - depois de nos fazer alinhar animais por ordem de preferência, atribuir adjectivos a meia dúzia de nomes, pessoas a cores e de eleger os nossos número e dia da semana favorito - nos promete a realização de um desejo. Sem mais. E ainda ganhamos o «bónus» de vermos traçado o nosso perfil.
Vai daí que desejei ganhar o euromilhões. Pus o tigre em 1.º lugar, seguido do cavalo, da ovelha, da vaca e do porco. Apelidei o cão de amigo, o gato de traiçoeiro, o rato de nojento, o café de necessário e o mar de eterno. Associei o amarelo ao meu namorado, o laranja e o vermelho às minhas duas melhores amigas, o branco ao meu editor e o verde ao meu pai. Elegi o 7 com o meu número predilecto e o sábado como dia de eleição da semana.
Tudo num mix, e voilà, ça c'est moi: as minhas prioridades na vida são orgulho-família-amor- carreira-dinheiro (ou seja, não «orgulhosamente só» mas «orgulhosamente pobre», o que, bem vistas as coisas, acaba por ir dar praticamente ao mesmo); a minha personalidade é amiga (!), o meu par traiçoeiro (lucky me), os meus inimigos nojentos (claro, só podem!), o sexo necessário (por lo tanto que sí), a minha vida eterna (devo ir reencarnando, será...?); depois, temos que o meu namorado é alguém que não esquecerei (ainda bem!), as minhas duas melhores amigas, uma verdadeira amiga e alguém que amo de verdade, respectivamente (precisamente, não é essa mesma, a definição de «melhores amigas»?!), o meu editor a minha alma gémea (seja lá o que isso signifique), o meu pai alguém que lembrarei para sempre (mas esse não era o meu namorado, a pessoa que «não esquecerei»...?). A mim, as pessoas parecem-me coincidir aos pares, a que não esqueço com a que lembro para sempre, a melhor amiga com alguém que amo verdadeiramente, a alma gémea, comigo mesma. Mas talvez seja essa a ideia. Ou, se calhar, é só impressão minha.
Devo reencaminhar o mesmo mail para 7 pessoas (ainda bem que não disse que o meu n.º favorito era o 100!), e no sábado (dentro de 3 dias) o meu desejo será satisfeito. Pelo que é melhor estar em casa à hora do jantar e prestar bem atenção à Marisa Cruz, quem sabe...?

terça-feira, 5 de junho de 2007

Bailaricos

E estão aí, as festas de Lisboa!
Com o mês de Junho começam aquelas noites maravilhosas, mornas, e nos pátios dos bairros mais castiços vá de preparar as brasas e abancar com as grelhas no meio da rua. Em torno de uma bica ou de um pelourinho se monta uma banca donde se tiram imperiais à pressão e sangria com uma concha duma grande vasilha. Um palco improvisado com meia dúzia de tábuas serve de rampa de lançamento aos acordes populares que animarão a noite.
No meu (novo) bairro, o largo da paz está enfeitado a preceito, com bandeirinhas coloridas a cruzar os céus. Assim que o sol se põe, começam a afluir ao pátio casais de namorados, famílias com os filhos pequenos, grupos de adolescentes e velhotas. As noites mais animadas são, claro, sextas, sábados e vésperas de feriado.
No fim-de-semana passado dei lá um salto. Gostei muito. Recheado q.b., as pessoas estavam bem animadas. Bastou por a tocar «o comboio», e logo uma fila se formou (e, inclusive, invadiu o palco, o que deixou o dj zangado). Um sexagenário já bem «regado», convidava tudo o que era rabo de saia para dançar, arriscando-se a levar um sopapo duma sua congénere, que só dançava com «o seu Manel», que tinha ido «à tasca», no momento.
Nas próximas seis semanas, um pouco por toda a cidade, «vamos a elas [festas], rapaziada»!;)

«Zodiac»

Realizado a partir dum caso verídico que aterrorizou os Estados Unidos durante os anos 70, petrificou completamente todos os meus membros da cintura para baixo, uma vez que me obrigou a ficar sentada, na mesma posição, durante cerca de 3h.
As cenas bem ao ritmo da época a que se reportam, quase temos vontade de enfiar a mão na tela e dar uma ajudinha ao serial-killer, nas facadas que inflinge à vítima ou na série de tiros disparados, a ver se as vítimas morrem de vez e não agonizam em câmara-lenta. O detective encarregue de deslindar o caso, mexe-se mais devagar do que os Alentejanos-das-anedotas, e o cartoonista que lhe dá lugar no encabeçamento da investigação, é a esquizofrenia em pessoa. O filme acaba duma forma perfeitamente frustrante e desoladora, para quem esteve pela noite adentro a sacrificar-se por um desenlace de jeito!
Com o alívio subjacente ao facto de saber altamente improvável o produtor do de cujus estar a ler isto, devo aconselhar todos os leitores do presente post a manterem-se o mais afastados possíveis de salas que exibam este filme. Simplesmente, esqueçam-no.