terça-feira, 19 de junho de 2007

Eutanásia

Hoje o «Público» destaca como notícia que, num estudo realizado junto do respectivo meio profissional, se apurou que cerca de 40% dos médicos especialistas em Oncologia concordam com as práticas de morte assistida, apesar de apenas metade afirmar, efectivamente, vir a utilizá-las no caso de tal lei ser aprovada.
Isso deu-me que pensar porque de momento conheço uma pessoa que está numa dessas situações terminais, e esta prática poder-lhe-ia ser muito útil se ela estivesse devidamente regulamentada, como é óbvio.
Tem mais ou menos a idade do meu pai, anda na casa dos 50's, e há uns anos foi-lhe diagnosticado um cancro na laringe (ou na faringe, mas é por aí). Fez as baterias de tratamentos recomendadas e o tumor estabilizou. Para além de ser médico de profissão, a pessoa em causa é um fumador inveterado, e o cachimbo falou nela mais alto, e assim recusou a prescindir do vício e o resultado foi o pior possível: agora a doença voltou, mais forte do que nunca, e dificilmente poderá ser travada. A começar porque o doente em causa não quer submeter-se a mais dolorosas cirurgias e (ainda mais) dolorosos tratamentos.
E eu consigo perfeitamente compreender e respeitar isso. Claro que para mim é mais fácil do que para os seus familiares e amigos porque não somos ligados por nenhum laço afectivo. No entanto, o senhor sempre me inspirou um certo respeito e admiração, até. Dado o seu feitio orgulhoso, é de todo compreensível que prefira uma morte digna a uma sobrevivência vegetativa, sofredora, e dependente dos que o rodeiam.
É uma atitude sobretudo muito corajosa da sua parte, entendo eu, na qual ninguém para além dele deveria poder interferir.

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