«Kubo»
Na verdade, não tenho muito mais a dizer sobre o «benjamim» do Grupo K que o comum dos mortais que lá passa todos os dias de comboio: é um paralelipípedo todo pintado de branco, com o habitual cunho dum «K» prateado à entrada, cujo interior se adivinha minimalista, como aliás, agora é a moda.
E porque digo «se adivinha» perguntam vocês, uma vez que resolvi publicar um post intitulado, precisamente, «Kubo»?
Resposta: porque não cheguei a lá entrar. Não me deixaram porque estava (imagine-se só, estupidez a minha) de chinelos, e o meu namorado de corsários, em pleno verão! (Isto realmente há pessoas que se passeiam nuns trajes que não lembram ao diabo...)
Interpelado à porta com um «boa noite», o macaco que lá estava plantado informou-nos de imediato que «os senhores» não podiam entrar devido «ao calçado que trazem nos pés e aos calções que o senhor traz vestidos». Pequeno apontamento fashion (ainda que não se possa exigir muito mais dum porteiro de discoteca que uma montanha de músculos oleosos e protuberantes enfeitados com um cérebro de passarinho): uns calções diferenciam-se duns corsários na medida em que aqueles terminam acima do joelho, enquanto estes têm cerca de mais um palmo.
À minha estranheza perante a impossibilidade de entrar numa esplanada - fora dum dia de festa - vestido casualmente, o tipo encolheu os ombros e respondeu «normas da casa». No momento seguinte beijocou duas senhoras com havaianas semelhantes às minhas, e deixou-as entrar. «E quem faz aqui as regras sou eu», esclareceu. Estamos em Portugal, e não é preciso dizer mais nada.
nota: uma alternativa muito mais agradável e descontraída a esta palhaçada preconceituosa, totalmente despretensiosa e de entrada «livre», é o bar da Camila, situado no jardim em frente ao museu de Arte Antiga, no cimo das escadinhas de Santos. Tem-se uma vista soberba do «Tejo by night», as bebidas são ao preço que se pagaria num café durante o dia, as tostas mistas uma delícia e o som revivalista (com os velhinhos discos de vinil numa dança frenética em torno do gira-discos de agulha). Muito bom de se estar!
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Cool Jazz Fest - Concerto da Norah Jones
No domingo passado encerrou mais uma edição do Cool Jazz Fest, com o concerto da Norah Jones, precedido de apresentação de T.Ward, nos jardins do Casino Estoril.
A noite estava óptima - o que foi um alívio e tanto para quem, como eu, passou o dia por aquelas bandas, já que a praia estava impraticável, com o céu a ameaçar chuva e tudo... - e o programa prometia.
Entrámos cerca das 20h30; a organização parecia boa, com dezenas de jovens fardados de cara sorridente, a encaminharem as pessoas para os lugares marcados. Assim à 1.ª vista, nada parecia destoar, mas um olhar mais atento demonstrava que, à medida que os lugares se afastavam do palco, não só se tornavam mais baratos como os assentos decresciam de qualidade. Passo a explicar;
Os [compradores dos] bilhetes mais baratos, para além de estarem mais perto (do Casino), tinham direito à bela da tábua-corrida, sem encosto para as costas. Uma coisa para jovens, portanto (ao módico preço de 30euros).
A fasquia seguinte sofria um up-grade de 10euros no preço do bilhete, se bem que já se podia encostar, ainda que numa cadeirita de plástico desmontável, do género daquelas que a malta leva para a praia. E foi aqui que me sentei. Ainda o T.Ward não tinha acabado a sua performance, já o show começara nas minhas redondezas, com uma revoada de pessoas «over-70[kgs]» a esborracharem-se no chão (não relvado) com toda a espectacularidade que procede uma queda não planeada.
Quando voltei duma ida à barraca das imperiais, assisti a um mini-motim, com as pessoas a atirar com as cadeiras ao chão e a exigirem o livro de reclamações e/ou o reembolso, perante um exército atónito de empregados que não tinham mãos a medir para as queixas que choviam a cada minuto que passava.
Os ânimos acalmaram um pouco quando a artista cabeça de cartaz entrou em palco, pedindo desculpas «por estar constipada», ainda que ninguém desse conta, pois cantou lindamente, e o único senão foi mesmo a ineptidão das instalações dum concerto que se esperava mais confortável de assistir, depois do preço pago.
No domingo passado encerrou mais uma edição do Cool Jazz Fest, com o concerto da Norah Jones, precedido de apresentação de T.Ward, nos jardins do Casino Estoril.
A noite estava óptima - o que foi um alívio e tanto para quem, como eu, passou o dia por aquelas bandas, já que a praia estava impraticável, com o céu a ameaçar chuva e tudo... - e o programa prometia.
Entrámos cerca das 20h30; a organização parecia boa, com dezenas de jovens fardados de cara sorridente, a encaminharem as pessoas para os lugares marcados. Assim à 1.ª vista, nada parecia destoar, mas um olhar mais atento demonstrava que, à medida que os lugares se afastavam do palco, não só se tornavam mais baratos como os assentos decresciam de qualidade. Passo a explicar;
Os [compradores dos] bilhetes mais baratos, para além de estarem mais perto (do Casino), tinham direito à bela da tábua-corrida, sem encosto para as costas. Uma coisa para jovens, portanto (ao módico preço de 30euros).
A fasquia seguinte sofria um up-grade de 10euros no preço do bilhete, se bem que já se podia encostar, ainda que numa cadeirita de plástico desmontável, do género daquelas que a malta leva para a praia. E foi aqui que me sentei. Ainda o T.Ward não tinha acabado a sua performance, já o show começara nas minhas redondezas, com uma revoada de pessoas «over-70[kgs]» a esborracharem-se no chão (não relvado) com toda a espectacularidade que procede uma queda não planeada.
Quando voltei duma ida à barraca das imperiais, assisti a um mini-motim, com as pessoas a atirar com as cadeiras ao chão e a exigirem o livro de reclamações e/ou o reembolso, perante um exército atónito de empregados que não tinham mãos a medir para as queixas que choviam a cada minuto que passava.
Os ânimos acalmaram um pouco quando a artista cabeça de cartaz entrou em palco, pedindo desculpas «por estar constipada», ainda que ninguém desse conta, pois cantou lindamente, e o único senão foi mesmo a ineptidão das instalações dum concerto que se esperava mais confortável de assistir, depois do preço pago.
segunda-feira, 16 de julho de 2007
«Belém Pop»
Aproveitando que durante os meses de Julho e Agosto as entradas às sextas, sábados e domingos são à pala, dei ontem um saltinho ao recém-inaugurado Museu Berardo, no CCB.
A exposição está distribuída tematicamente pelos três pisos, um dedicado a cada movimento: os guias aconselham a que se comece pelo do piso -1 (surrealismo), para depois subir ao 1.º (pop art), terminando a visita no -2 (minimalismo). E assim fiz;
Entre Magritte's, Picasso's e Cesariny's, apesar da sonoridade dos nomes, as obras não impressionam por aí além. São uma espécie de «saldos de fim de colecção» de uma loja que, apesar de ser muito boa, já não tem peças que se aproveitem. Pondo isto em linguagem «fashion», é a liquidação total da Loja das Meias do Rossio. Não gostei.
Ainda assim dei o benefício da dúvida, até porque surrealidades não estão propriamente no top 5 dos meus movimentos de eleição, ao contrário da arte pop, pelo que, à medida que subia os degraus, alimentava secretamente a esperança de me deslumbrar perante Andy Wahorl's e Cia., mas a verdade é que apenas duas obras deste artista me «encheram o olho», o resto era, na grande maioria, fotografias a preto e branco de individualidades da época. Uma desilusão.
Finalmente, desci dois lanços de escadas para a recta final, minimalista: uma montagem de alumínio de Pedro Cabrita Reis era o que mais entusiasmava os transeuntes; duas telas negras cujo título era, precisamente, «sem título» porque «a arte é uma forma do artista pensar, mais do que uma expressão do mesmo», era o que mais os intrigava; uma tela gigante d'«O celeiro», de Paula Rego, o que mais os esmagava. Um grupo de velhotes ainda se detinha em torno duma caçarola de barro, onde por detrás um vídeo explicativo demonstrava a arte da olaria, mas não me pareceram mais convencidos do que eu própria, da «singularidade» de tão banal peça.
A arte não é uma colecção de cromos. É impossível ter-se um exemplar salteado dentro de cada género, correndo o risco de agrupar más obras de bons autores e uma ou duas pérolas perdidas, como é o caso desta "Belém Pop". Não valia a pena açambarcar o CCB todo para isto.
Aproveitando que durante os meses de Julho e Agosto as entradas às sextas, sábados e domingos são à pala, dei ontem um saltinho ao recém-inaugurado Museu Berardo, no CCB.
A exposição está distribuída tematicamente pelos três pisos, um dedicado a cada movimento: os guias aconselham a que se comece pelo do piso -1 (surrealismo), para depois subir ao 1.º (pop art), terminando a visita no -2 (minimalismo). E assim fiz;
Entre Magritte's, Picasso's e Cesariny's, apesar da sonoridade dos nomes, as obras não impressionam por aí além. São uma espécie de «saldos de fim de colecção» de uma loja que, apesar de ser muito boa, já não tem peças que se aproveitem. Pondo isto em linguagem «fashion», é a liquidação total da Loja das Meias do Rossio. Não gostei.
Ainda assim dei o benefício da dúvida, até porque surrealidades não estão propriamente no top 5 dos meus movimentos de eleição, ao contrário da arte pop, pelo que, à medida que subia os degraus, alimentava secretamente a esperança de me deslumbrar perante Andy Wahorl's e Cia., mas a verdade é que apenas duas obras deste artista me «encheram o olho», o resto era, na grande maioria, fotografias a preto e branco de individualidades da época. Uma desilusão.
Finalmente, desci dois lanços de escadas para a recta final, minimalista: uma montagem de alumínio de Pedro Cabrita Reis era o que mais entusiasmava os transeuntes; duas telas negras cujo título era, precisamente, «sem título» porque «a arte é uma forma do artista pensar, mais do que uma expressão do mesmo», era o que mais os intrigava; uma tela gigante d'«O celeiro», de Paula Rego, o que mais os esmagava. Um grupo de velhotes ainda se detinha em torno duma caçarola de barro, onde por detrás um vídeo explicativo demonstrava a arte da olaria, mas não me pareceram mais convencidos do que eu própria, da «singularidade» de tão banal peça.
A arte não é uma colecção de cromos. É impossível ter-se um exemplar salteado dentro de cada género, correndo o risco de agrupar más obras de bons autores e uma ou duas pérolas perdidas, como é o caso desta "Belém Pop". Não valia a pena açambarcar o CCB todo para isto.
sexta-feira, 13 de julho de 2007
«Queres fazer amor comigo?»
Com encenação de Henrique Félix, está em palco no Teatro da Trindade desde o princípio do mês. Ao longo da peça - que tem a (curta) duração de uma hora e um quarto - cinco actrizes encarnam nove personagens de épocas, estratos sociais e culturas diferentes, onde o objectivo é
cada uma fazer a sua interpretação do que significa a expressão «fazer amor».
A ideia é gira, mas o resultado não funciona tão bem. Porque o maior «tempo de antena» é concedido à actriz menos expressiva, mais errante nas falas, e cuja personagem é mais insossa [a dona dum restaurante afrodisíaco cujas fantasias sexuais consistem em copular em cima de legumes e frutas recém comprados, mergulhando nas «texturas e odores» dos mesmos]. Porque não se geram própriamente questões «controversas» nem «confissões inconfessáveis», como nos revela o cartaz - esse sim, apelativo - aquando da compra dos bilhetes, e portanto não há muito em que pensar, muito em que nos questionarmos ou com que nos espantarmos ao longo da trama, que actualmente, volvidas cerca de duas semanas desde que lá fui, apenas recordo a (curtíssima) passagem duma prostituta cuja linguagem barata e piadas brejeiras incitam ao riso fácil, assim como a representação duma lésbica também tem momentos engraçados, mas longe de serem hilariantes.
A acrescentar a isto, o espectáculo começa atrasado (à boa maneira portuguesa), os cenários são pobres e a sala-estúdio onde enfiam cerca de 5 dezenas de espectadores de cada fornada, decrépita. Não aconselho.
Com encenação de Henrique Félix, está em palco no Teatro da Trindade desde o princípio do mês. Ao longo da peça - que tem a (curta) duração de uma hora e um quarto - cinco actrizes encarnam nove personagens de épocas, estratos sociais e culturas diferentes, onde o objectivo é
cada uma fazer a sua interpretação do que significa a expressão «fazer amor».
A ideia é gira, mas o resultado não funciona tão bem. Porque o maior «tempo de antena» é concedido à actriz menos expressiva, mais errante nas falas, e cuja personagem é mais insossa [a dona dum restaurante afrodisíaco cujas fantasias sexuais consistem em copular em cima de legumes e frutas recém comprados, mergulhando nas «texturas e odores» dos mesmos]. Porque não se geram própriamente questões «controversas» nem «confissões inconfessáveis», como nos revela o cartaz - esse sim, apelativo - aquando da compra dos bilhetes, e portanto não há muito em que pensar, muito em que nos questionarmos ou com que nos espantarmos ao longo da trama, que actualmente, volvidas cerca de duas semanas desde que lá fui, apenas recordo a (curtíssima) passagem duma prostituta cuja linguagem barata e piadas brejeiras incitam ao riso fácil, assim como a representação duma lésbica também tem momentos engraçados, mas longe de serem hilariantes.
A acrescentar a isto, o espectáculo começa atrasado (à boa maneira portuguesa), os cenários são pobres e a sala-estúdio onde enfiam cerca de 5 dezenas de espectadores de cada fornada, decrépita. Não aconselho.
Concertos de verão no Casino Estoril
Dia 5 de Julho tiveram início as já habituais borlas a que o Casino Estoril nos vem habituando durante a época estival, com André Sardet a abrir o cartaz de uma série de concertos que bandas portuguesas darão, ao vivo, a partir das 23h, todas as 5as feiras de Julho, Agosto e Setembro no "Du art garden", logo à entrada do Casino.
As boas notícias são que o programa é à pala: juntamos meia dúzia de pessoas com gosto musical afim (para não haverem mártires sacrificados, como o meu querido namorado, a «aturar» músicas tão másculas como "Feitiço" ou "Quando eu te falei em amor"), fazemo-nos transportar para lá, bebemos uma jola ao preço dum martini (o que equivale a dizer que é preferível beber o «tal» martini), chegamos com meia hora de avanço para garantir um bom lugar e...enchemo-nos de paciência.
Porque no nosso caso, quando chegámos estava o "Avô Cantigas" a cantar «modas populares». E era só mais uma. E mais outra. E apesar dos aplausos serem fracos, para não dizer mesmo inaudíveis, nada esmorecia a cantoria do "Tio Carlos". Quando o André Sardet subiu ao palco, está bem que a casa estava cheia (cerca de duas mil pessoas), mas faltava um quarto para a meia noite.
Mas, pela minha parte, valeu a pena. O concerto valeu bastante a pena, especialmente a parte do "tributo às grandes bandas portuguesas", onde se interpretaram Xutos, António Variações, ... Ontem foi João Pedro Pais e eu passei a vez, mas para a semana é Luís Represas e eu conto lá estar!
Dia 5 de Julho tiveram início as já habituais borlas a que o Casino Estoril nos vem habituando durante a época estival, com André Sardet a abrir o cartaz de uma série de concertos que bandas portuguesas darão, ao vivo, a partir das 23h, todas as 5as feiras de Julho, Agosto e Setembro no "Du art garden", logo à entrada do Casino.
As boas notícias são que o programa é à pala: juntamos meia dúzia de pessoas com gosto musical afim (para não haverem mártires sacrificados, como o meu querido namorado, a «aturar» músicas tão másculas como "Feitiço" ou "Quando eu te falei em amor"), fazemo-nos transportar para lá, bebemos uma jola ao preço dum martini (o que equivale a dizer que é preferível beber o «tal» martini), chegamos com meia hora de avanço para garantir um bom lugar e...enchemo-nos de paciência.
Porque no nosso caso, quando chegámos estava o "Avô Cantigas" a cantar «modas populares». E era só mais uma. E mais outra. E apesar dos aplausos serem fracos, para não dizer mesmo inaudíveis, nada esmorecia a cantoria do "Tio Carlos". Quando o André Sardet subiu ao palco, está bem que a casa estava cheia (cerca de duas mil pessoas), mas faltava um quarto para a meia noite.
Mas, pela minha parte, valeu a pena. O concerto valeu bastante a pena, especialmente a parte do "tributo às grandes bandas portuguesas", onde se interpretaram Xutos, António Variações, ... Ontem foi João Pedro Pais e eu passei a vez, mas para a semana é Luís Represas e eu conto lá estar!
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