«Belém Pop»
Aproveitando que durante os meses de Julho e Agosto as entradas às sextas, sábados e domingos são à pala, dei ontem um saltinho ao recém-inaugurado Museu Berardo, no CCB.
A exposição está distribuída tematicamente pelos três pisos, um dedicado a cada movimento: os guias aconselham a que se comece pelo do piso -1 (surrealismo), para depois subir ao 1.º (pop art), terminando a visita no -2 (minimalismo). E assim fiz;
Entre Magritte's, Picasso's e Cesariny's, apesar da sonoridade dos nomes, as obras não impressionam por aí além. São uma espécie de «saldos de fim de colecção» de uma loja que, apesar de ser muito boa, já não tem peças que se aproveitem. Pondo isto em linguagem «fashion», é a liquidação total da Loja das Meias do Rossio. Não gostei.
Ainda assim dei o benefício da dúvida, até porque surrealidades não estão propriamente no top 5 dos meus movimentos de eleição, ao contrário da arte pop, pelo que, à medida que subia os degraus, alimentava secretamente a esperança de me deslumbrar perante Andy Wahorl's e Cia., mas a verdade é que apenas duas obras deste artista me «encheram o olho», o resto era, na grande maioria, fotografias a preto e branco de individualidades da época. Uma desilusão.
Finalmente, desci dois lanços de escadas para a recta final, minimalista: uma montagem de alumínio de Pedro Cabrita Reis era o que mais entusiasmava os transeuntes; duas telas negras cujo título era, precisamente, «sem título» porque «a arte é uma forma do artista pensar, mais do que uma expressão do mesmo», era o que mais os intrigava; uma tela gigante d'«O celeiro», de Paula Rego, o que mais os esmagava. Um grupo de velhotes ainda se detinha em torno duma caçarola de barro, onde por detrás um vídeo explicativo demonstrava a arte da olaria, mas não me pareceram mais convencidos do que eu própria, da «singularidade» de tão banal peça.
A arte não é uma colecção de cromos. É impossível ter-se um exemplar salteado dentro de cada género, correndo o risco de agrupar más obras de bons autores e uma ou duas pérolas perdidas, como é o caso desta "Belém Pop". Não valia a pena açambarcar o CCB todo para isto.
segunda-feira, 16 de julho de 2007
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