sexta-feira, 13 de julho de 2007

«Queres fazer amor comigo?»

Com encenação de Henrique Félix, está em palco no Teatro da Trindade desde o princípio do mês. Ao longo da peça - que tem a (curta) duração de uma hora e um quarto - cinco actrizes encarnam nove personagens de épocas, estratos sociais e culturas diferentes, onde o objectivo é
cada uma fazer a sua interpretação do que significa a expressão «fazer amor».
A ideia é gira, mas o resultado não funciona tão bem. Porque o maior «tempo de antena» é concedido à actriz menos expressiva, mais errante nas falas, e cuja personagem é mais insossa [a dona dum restaurante afrodisíaco cujas fantasias sexuais consistem em copular em cima de legumes e frutas recém comprados, mergulhando nas «texturas e odores» dos mesmos]. Porque não se geram própriamente questões «controversas» nem «confissões inconfessáveis», como nos revela o cartaz - esse sim, apelativo - aquando da compra dos bilhetes, e portanto não há muito em que pensar, muito em que nos questionarmos ou com que nos espantarmos ao longo da trama, que actualmente, volvidas cerca de duas semanas desde que lá fui, apenas recordo a (curtíssima) passagem duma prostituta cuja linguagem barata e piadas brejeiras incitam ao riso fácil, assim como a representação duma lésbica também tem momentos engraçados, mas longe de serem hilariantes.
A acrescentar a isto, o espectáculo começa atrasado (à boa maneira portuguesa), os cenários são pobres e a sala-estúdio onde enfiam cerca de 5 dezenas de espectadores de cada fornada, decrépita. Não aconselho.

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